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Estudo inédito vai apresentar impactos econômicos da deriva de herbicidas sobre a vitivinicultura gaúcha

Pesquisa identificou mais de 400 ocorrências registradas desde 2018 e aponta que o fenômeno passou a ser percebido como fator permanente de risco para investimentos e expansão da atividade em diferentes regiões do Estado

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Os impactos provocados pela deriva de herbicidas hormonais sobre a vitivinicultura do Rio Grande do Sul estarão no centro de um debate promovido no próximo dia 17 de junho, em Dom Pedrito. Na ocasião, será apresentado um estudo inédito que analisou a dimensão econômica do problema no Estado, tema que vem mobilizando produtores, entidades e pesquisadores diante dos reflexos sobre a produtividade, os investimentos e o desenvolvimento de regiões vitivinícolas.

 

Realizada pelo Consevitis-RS, por meio do Termo de Colaboração FPE 4837/2022 com a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), a pesquisa foi executada pela Fundação Empresa-Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Feeng). A coordenação técnica envolveu o professor doutor Leonardo Cury da Silva, o doutor Jorge Viel e a professora doutora Shana Sabbado Flores.

 

O estudo avaliou registros oficiais de ocorrências de deriva disponibilizados pela Seapi entre 2018 e 2024, além de entrevistas com produtores e agentes técnicos, revisão bibliográfica especializada, análises cartográficas, georreferenciamento e projeções econômicas. Os dados apontam mais de 400 casos confirmados de deriva de herbicidas hormonais no Rio Grande do Sul entre 2018 e 2025, com média de 57 ocorrências por ano.

 

As estimativas indicam perdas de produtividade entre 20% e 55% nas áreas afetadas, podendo ultrapassar 80% em algumas regiões. As estimativas apontam que aproximadamente 700 hectares de vinhedos tenham sido diretamente afetados por ocorrências de deriva no período analisado. Esse número, porém, pode ser ainda maior, já que o estudo foi elaborado com base nos registros oficiais e nas fontes consultadas, não sendo possível mensurar a totalidade dos casos ocorridos no Estado.

Nas regiões mais impactadas, o fenômeno afeta um universo superior a 4 mil hectares de vinhedos distribuídos em cerca de 45 municípios gaúchos.

 

Os herbicidas hormonais, também chamados de herbicidas auxínicos ou mimetizadores de auxinas, são amplamente utilizados no controle de plantas daninhas em sistemas agrícolas extensivos. Entre os princípios ativos mais conhecidos estão o 2,4-D, o dicamba, o picloram e o fluroxipir.

 

Segundo os pesquisadores, os efeitos da deriva vão além das perdas imediatas de produção. A avaliação econômica considera a redução do volume produzido, os custos adicionais relacionados ao manejo e à recuperação das plantas e a necessidade de renovação de vinhedos. Entre os impactos mais recorrentes estão o abortamento floral, o menor pegamento de frutos, deformações vegetativas e o enfraquecimento das plantas.

 

A análise identificou ocorrências em importantes regiões produtoras do Estado, incluindo Campanha Gaúcha, Região Central, Serra do Sudeste, Campos de Cima da Serra, Planalto, Missões e, de forma mais pontual, a Serra Gaúcha. A maior concentração dos registros ocorre em áreas onde a vitivinicultura convive com sistemas agrícolas extensivos que utilizam herbicidas hormonais.

 

Para a professora doutora Shana Sabbado Flores, os resultados demonstram que o problema passou a ter implicações que vão além da esfera produtiva. “Os resultados indicam que a deriva deixou de ser percebida pelos produtores como um evento pontual e passou a ser considerada um fator permanente de risco. Isso tem reflexos diretos sobre investimentos, expansão da atividade e perspectivas de desenvolvimento da vitivinicultura em diferentes regiões do Rio Grande do Sul”, afirma.

 

De acordo com a pesquisadora, o estudo representa um avanço importante para a compreensão do fenômeno em escala territorial. “Este estudo representa um marco para a vitivinicultura gaúcha ao reunir, pela primeira vez, uma análise integrada dos impactos da deriva de herbicidas hormonais em escala territorial. Além de quantificar e projetar os impactos, o trabalho entrega uma metodologia de monitoramento que poderá ser utilizada e aperfeiçoada nos próximos anos, criando uma base consistente para o acompanhamento do fenômeno e para a construção de soluções técnicas e institucionais”, destaca.

 

O trabalho parte do entendimento de que a sustentabilidade da agricultura gaúcha depende da convivência equilibrada entre diferentes sistemas produtivos. Nesse contexto, a pesquisa busca contribuir para a construção de soluções que permitam o desenvolvimento simultâneo das diversas cadeias agrícolas presentes no Estado, sem comprometer a competitividade e o potencial de crescimento da vitivinicultura.

 

Os resultados completos do estudo serão apresentados durante o evento, que é aberto ao público e destinado a produtores, técnicos, estudantes, pesquisadores e demais interessados. Após a apresentação, haverá espaço para entrevistas com os pesquisadores e representantes das entidades envolvidas. A pesquisa ficará disponível posteriormente no Observatório Vitivinícola do Consevitis-RS.

 

Serviço

O que: apresentação do estudo "Impactos econômicos dos herbicidas hormonais na viticultura do Rio Grande do Sul"

Quando: 17 de junho, quarta-feira, às 14h30

Onde: Salão Nobre do Sindicato Rural de Dom Pedrito (Av. Rio Branco, 896 – Dom Pedrito/RS)

Inscrições: https://forms.gle/5vGK1xrNfjxpnMue7

Realização: Consevitis-RS

Apoio: Associação Vinhos da Campanha Gaúcha

 

Consevitis-RS | Assessoria de Imprensa

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